Falsa médica investigada por lesão corporal seguida de morte por PMMA cursou 3 períodos de medicina

Mais uma vítima da utilização irregular do PMMA tem gerado comoção esta semana. Notícias sobre o caso inicialmente apontavam a responsável pelo procedimento como biomédica, mas a dona da clínica não contava com formação completa. Segundo relatou à polícia, a falsa médica cursou até o 3º período de medicina e realizou outros cursos livres em estética, apesar de não ter apresentado nenhum certificado.
Índice
Entenda o caso
Aos 33 anos de idade, foi a óbito a influencer e modelo brasiliense Aline Ferreira, que buscou o procedimento para aumentar medidas na região dos glúteos.
O procedimento foi realizado no dia 28 de junho por Grazielly da Silva Barbosa, dona da clínica localizada em Goiânia. Dias após o procedimento, porém, a paciente começou a apresentar dores e febre.
Quatro dias após o procedimento, Aline desmaiou e foi levada a um hospital, mas acabou sofrendo duas paradas cardíacas nos dias subsequentes, e faleceu na última terça-feira (2), em decorrência de infecção generalizada.
Falsa médica cursou até o 3º período de medicina
Segundo o marido da influencer, Grazielly chegou a negar que o PMMA foi utilizado, afirmando que a havia usado um tipo de bioestumulador. Outra testemunha, amiga da vítima, relata que a falsa médica não forneceu detalhes sobre a própria formação, nem explicou sobre os riscos atrelados ao procedimento.
As informações são do jornal O Globo, emitidas após coletiva de imprensa em que se pronunciou a delegada Débora Melo, parte da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor.
Grazielly foi presa nesta quarta-feira (3), após operação conduzida pela Delegacia de Crimes Contra o Consumidor (Decon) de Goiânia junto à Vigilância Sanitária. Apesar da investigação em curso, inicialmente a prisão se deu devido a crimes contra as relações de consumo.
Além de a responsável pelo procedimento irregular não contar com a formação adequada, tendo revelado à polícia que realizou o curso de medicina até o 3º período, sua clínica também não tem alvará sanitário para funcionamento.
PMMA: perigos e usos restritos na saúde
Apesar de ser liberado no Brasil, o polimetilmetacrilato (PMMA), muitas vezes vendido como preenchimento definitivo, é um produto de alto risco (classe IV) e não é recomendado para a maioria dos procedimentos faciais e corporais.
Por que o PMMA é tão arriscado?
O PMMA não é absorvido pelo corpo, o que significa que os resultados do procedimento são irreversíveis. Isso pode ser um grande problema caso os resultados não sejam satisfatórios, ou se a substância migrar para outras áreas.
A substância pode então causar complicações graves, como granulomas (nódulos), necrose de tecidos, infecções e até morte.
Atualmente, a recomendação de uso desta substância no Brasil só se aplica em dois casos: para correção volumétrica, ou seja, tratar irregularidades ou depressões, realizando o preenchimento de pequenas áreas afetadas por meio de bioplastia; e também para correção de lipodistrofia.
Nota do CRBM-3
Após o ocorrido, o Conselho Regional de Biomedicina da 3ª Região (CRBM-3) emitiu uma nota reafirmando que o uso de PMMA não está entre as atribuições da especialidade em Biomedicina Estética, podendo o agente da infração responder por processo ético.
A nota frisa ainda que “O biomédico, obrigatoriamente, deve estar inscrito e regular junto ao Conselho Regional de Biomedicina e ser devidamente habilitado em Biomedicina Estética. Caso o profissional não esteja inscrito, exerce ilegalmente a profissão.”
Imagem em destaque: reprodução, Instagram @linefrreira.
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