Erro médico e o hidrogel

Por mais que a ditadura da beleza “imponha” sobre determinadas pessoas a necessidade de responder a padrões estéticos para sentirem-se não só aceitas mas destacadas na sociedade, algumas lições valiosas devem ser aprendidas com casos como o da modelo e apresentadora Andressa Urach. Após 25 dias internada na UTI por causa de complicações causadas pela […]
Por mais que a ditadura da beleza “imponha” sobre determinadas pessoas a necessidade de responder a padrões estéticos para sentirem-se não só aceitas mas destacadas na sociedade, algumas lições valiosas devem ser aprendidas com casos como o da modelo e apresentadora Andressa Urach. Após 25 dias internada na UTI por causa de complicações causadas pela aplicação aparentemente errada de hidrogel, cinco anos antes, Andressa começa a retornar à sua vida normal. Com a alma “serena” segundo ela mesma, a modelo coloca a culpa do ocorrido no excesso de vaidade, que a teria levado a medidas exageradas na aplicação. Fica o questionamento, se terá sido erro médico ou completo despreparo de quem não seguiu as boas práticas biomédicas e de biossegurança necessárias a qualquer profissional de saúde.

Casos problemáticos com Hidrogel

O caso de Andressa está longe de ser o único. Em janeiro de 2015 o modelo brasileiro Celso Santebañes, conhecido como o Ken Humano, foi internado em Minas Gerais com risco iminente de morte também devido a complicações causadas pela aplicação de hidrogel nas pernas há quatro anos. Ao dar entrada no hospital, entretanto, o rapaz de 20 anos descobriu estar também com leucemia. No entanto, algumas considerações não devem deixar de ser feitas a respeito da conduta médica que leva um profissional desta classe a utilizar de forma equivocada produtos que podem causar prejuízos ao paciente. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o hidrogel é um termo genérico utilizado para qualquer gel aquoso. No caso da substância utilizada para o preenchimento da coxa de Andressa Urach, ele é composto por 98% de água e 2% de poliamida e foi autorizado pela Anvisa na sua marca chamada Aqualift. O registro, vencido em 31/03/2014, era válido apenas para aplicações específicas, como eliminação de assimetria de tecidos moles faciais, eliminação de alterações faciais específicas da idade, aumento do volume dos tecidos moles e correção do contorno de diversas partes do corpo. Nos Estados Unidos, no entanto, o uso do hidrogel é proibido pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora americana.

O uso do Hidrogel no Brasil

De acordo com a Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética (SBBME), nas recomendações farmacêuticas de bula da substância “Hidrogel”, previamente aprovadas pela ANVISA, o uso é recomendado apenas para procedimentos reparadores do volume e contorno da face, em pequenas quantidades, como lábios, rugas de repouso e maçãs do rosto, por exemplo; algo em torno de 2 a 3 ml do produto. Este procedimento estético injetável não-invasivo quando utilizado do mesmo em grandes quantidades é prejudicial, e em determinadas regiões, como a infra-orbital e glabela, apesar da pequena quantidade, ainda é extremamente perigoso, independentemente da formação do profissional que faz este tipo de aplicação. Na biomedicina estética, onde o cuidado é redobrado, recomenda-se apenas o uso de ácido hialurônico, ácido poli-L-láctico e hidroxiapatita calcio, por serem substâncias preenchedoras semi-permanentes (absorvíveis) muito mais seguras e compatíveis com o organismo das pessoas, sendo essas as melhores alternativas. Já o Hidrogel, além de ser evitado na biomedicina estética, tal substância teve sua licença vencida na ANVISA em abril de 2014. E mesmo assim o fármaco foi injetado na apresentadora bem após o prazo de vencimento. Não se tem notícias de reações adversas graves ou tardias com preenchimentos a partir das substâncias semi-permanentes utilizadas pelos biomédicos estetas. As substâncias como que costumam apresentar alergias, complicações ou rejeições pelo organismo do paciente, em até 3 anos após a aplicação, são: colágeno, hidrogel (principalmente versão corporal), silicone industrial ou líquido e preenchedores médicos permanentes, que, apesar de ainda permitidos, estão caindo em desuso justamente por colocar a saúde do paciente em risco sem necessidade. Sabe-se que a trombose venosa profunda, com formação ou não de êmbolo pulmonar é oriunda preferencialmente de membros inferiores e quadril, sendo uma área anatômica mais complexa de não atuação (ou atuação não recomendada) ao Biomédico Esteta no que diz respeito a bioplastias (preenchimentos corporais). Nunca foi novidade alguma para o bom profissional da saúde que o hidrogel não deve ser utilizado como substituto de próteses que aumentam grandes regiões, como os glúteos, mamas ou as coxas, porque, nesse caso, o volume utilizado de Hidrogel é bastante superior ao recomendado pela Anvisa, o que traz prejuízos à saúde. Isto porque a substância contida (poliamida) não é bem aceita pelo organismo em grandes quantidades, atrapalhando a circulação linfática e sanguínea, o que pode aumentar o risco de reações adversas, como: infecção, fibrose, edema, isquemias e trombo-êmbolos. No caso de Andressa, o médico colocou 400 ml nas coxas da paciente, cerca de 200 vezes a quantidade aprovada pelo laboratório farmacêutico e ANVISA. As práticas biomédicas de biossegurança laboratorial e microbiológica devem ser aplicadas também à Biomedicina Estética, e demandam um conjunto de medidas voltadas para a prevenção, proteção e minimização de riscos inerentes ao produto ou ao procedimento. Tais medidas norteiam todos os profissionais da saúde sem excessão, pacientes, usuários e clientes em relação a procedimentos biomédicos cada vez mais seguros. Fazer uma triagem na escolha da substância menos arriscada, com melhor benefício-custo, bem como seguir as orientações dos protocolos e bulas do fármaco, executar a técnica com perícia e prudência e ainda prestar atenção (assistência) no pós-venda / pós procedimento são atitudes imprescindíveis e cativam o paciente. É no mínimo curiosa a atitude de um profissional de medicina que ignora as orientações da agência reguladora, especificações de bula do fármaco e de suas próprias sociedades médicas unicamente para atender a pseudo-exigências de um mercado da vaidade, visando única e exclusivamente o beneficiamento financeiro e deixando de lado as boas práticas profissionais, incorrendo em erro estético e lesão corporal. Apesar de o mercado da vaidade exacerbada ainda criar cada vez mais distúrbios de imagem numa parcela da população, cabe aos profissionais da saúde a responsabilidade sobre a aplicação consciente de produtos, uma vez que é dele a mão que segura a injeção, laser ou o bisturi, este, no caso dos médicos. Com certeza, acontecimentos como esses não deveriam ocorrer e muito menos se repetir, mas que sirvam para peneirar os profissionais pouco ou não responsáveis daqueles bons, os realmente qualificados, cuidadosos e que não colocam o dinheiro à frente da saúde de seu paciente e do bom prestígio de que goza sua classe profissional. carolcongresso Dra. Ana Carolina Puga. Presidente da Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética – SBBME Vale lembrar que a bioplastia e preenchedores com as substâncias mais confiáveis devem ser realizados por Biomédicos Estetas que são profissionais extremamente capacitados e isso faz toda a diferença em qualquer tratamento. 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