Alerta! Cursos EAD formam biomédicos estetas com capacitação duvidosa

Na semana que passou, deparamos com um anúncio publicitário que oferecia um curso “completo” de especialização lato-sensu, em Biomedicina Estética, por “20 parcelas de R$ 279,00”. Não era promoção de matrícula, nem do primeiro semestre, nada disto – era o curso inteiro por 3 mil reais. Um ano de curso em EAD, desta Instituição de Ensino, custa pouco menos da metade de um frasco de toxina botulínica e um preenchedor com ácido hialurônico, minimamente necessários para a formação de um biomédico esteta especialista. Um ano de pós EAD, deste centro universitário, custa menos da metade que 1 ano de instituições de ensino superior credenciadas pelo MEC renomadas, como o NEPUGA/FAPUGA, Faculdade IBECO, ou de algumas IES, que estão ofertando a pós-graduação na modalidade presencial.

Suponhamos que você finalize o curso EAD deste centro universitário por 3 mil reais. Após a conclusão, ao realizar a procura de oportunidades de emprego em clínicas de estética, certamente você não conseguirá realizar procedimentos práticos com segurança, visto que não conseguiu vivenciar essa experiência em seu curso total web. Assim, terá que desembolsar aproximadamente 2 mil reais por cada curso prático para obter a capacitação nos procedimentos práticos.

Curso Valor
Toxina Botulínica – Básico R$ 3.300,00
Toxina Botulínica – Avançado R$ 3.800,00
Fios de Sustentação R$ 2.000,00
Skinbooster e Lipo de Papada R$ 1.100,00
Intradermoterapia R$ 1.000,00
PEIM R$ 900,00

Somando os valores gastos com cursos de capacitação e aperfeiçoamento, e com o valor da sua pós graduação EAD, o total vai além do que uma pós graduação presencial de biomedicina estética ofertada por uma instituição de ensino superior credenciada pelo MEC. Afinal, o barato acaba saindo mais caro!

Atenção para o investimento nos cursos EaD

A oferta EAD de uma pós-graduação na saúde não é um caso isolado. Pesquisamos e foi encontrado ofertas promocionais de outros cursos na área da saúde, por valores que vão desde “R$ 199,00 até R$ 300,00 mensais”. As ofertas mais agressivas não vêm de médias ou pequenas IES isoladas, mas, sim, de alguns grandes grupos educacionais, que possuem pouco ou nenhum envolvimento com o desenvolvimento e lutas de causa da profissão, especialidade e profissionais.

A estratégia destes grupos é clara: baixar o preço a tal ponto de bloquear a entrada de novas IES no mercado, novos institutos, principalmente as pequenas e médias instituições que acabaram de autorizar seus cursos no MEC e ou fizeram parcerias com instituições de ensino credenciadas e apostam na força regional de suas marcas para conquistarem um pequeno pedaço do mercado da sua região de alcance. São IES e Institutos que talvez nunca irão competir nacionalmente, mas que podem conquistar um bom público em suas localidades (onde suas marcas alcançam), ofertando um excelente ensino e formando excelentes profissionais.

Como nos últimos 12 meses, mais de centenas de escolas credenciaram-se junto ao MEC ou estão se credenciando, para oferecer cursos de pós-graduação presenciais. Faz sentido que os grandes grupos passem a jogar pesado para ocuparem esses pequenos e últimos espaços.

Evidentemente que não é sustentável uma mensalidade de R$ 279,00, sendo que, para formar um biomédico especialista em estética, deve ter contato com presencial, físico e prático com pacientes, equipamentos, medicamentos, professores, colegas e ambiente clínico. Se este valor fosse sustentável a mensalidade média do online não seria de R$ 279,00 (valor cobrado da pós online EAD, que não oferece experiência prática ao biomédico).

Então, se R$ 279,00 mensais não é um valor sustentável, qual é a intenção dos grupos educacionais que cobram isto ou menos? Eles estão apostando na fragilidade do aluno que não tem condições financeiras para fazer uma pós presencial a preço justo e ou na falta de conhecimento do profissional que lá na frente não terão a possibilidade de reivindicar a habilitação profissional, que será negada pelo Conselho de Classe profissional.

A profissionalização EaD perante o Conselho de Classe

Os Conselhos de Classe não apreciam e nem têm obrigação de apreciar o exercício profissional (habilitação) àqueles especialistas que não possuem proficiência prática comprovada. Tampouco, os Conselhos são obrigados de reconhecer pós-graduações presenciais e ou EAD que não se adequem ao núcleo duro pedagógico, ou seja, padrão de qualidade mínima definida pela sua classe.

Caso conselhos profissionais apreciem habilitações sem qualquer comprovação prática, estes passam a ser coniventes com a formação de má qualidade, com o aumento dos erros estéticos ocasionados pela classe e tudo isso em detrimento da anuidade desses profissionais habilitados e sem se importar com a opinião pública e ações na justiça movidas pelas instituições médicas.

Profissões como Direito, Medicina e Enfermagem não emitem habilitação para profissionais formados em EAD.

“Os Conselhos de Classe não apreciam e nem têm obrigação de apreciar o exercício profissional (habilitação) àqueles especialistas que não possuem proficiência prática comprovada”.

Mas será que esta estratégia agressiva destes grupos EAD dará certo? Entrar no mérito da ética, ou melhor, da falta de ética por trás destas práticas, a conclusão óbvia disto é a seguinte: a IES que oferta pós EAD será muito bem sucedida em curto prazo, vai angariar inúmeros alunos e faturar o seu dinheiro. Outra conclusão é a que os especialistas ficarão impedidos pelos Conselhos de exercer a especialidade. Outra conclusão, ainda mais evidente, é que tais profissionais terão de refazer a pós na modalidade presencial e ou terão de fazer cursos de extensão e de capacitação e gastarão ainda mais fazendo apenas a pós presencial.

“Outra conclusão é a que os especialistas ficarão impedidos pelos Conselhos de exercer a especialidade”.

Os efeitos da formação dos profissionais em EaD

No entanto, o que estes grupos ainda não enxergaram é o efeito colateral desta prática:

a) O aumento do descrédito da sociedade quanto à seriedade da modalidade EAD. O setor privado vem lutando há anos para mostrar para a sociedade, para os Conselhos Profissionais e para o Judiciário, que o ensino na saúde estética é sério, tem qualidade e representa o futuro das classes da saúde no Brasil. Este movimento predatório de alguns grupos e instituições tende a minar esta crescente percepção de qualidade e respeitabilidade da especialidade, dando munição para que alguns conselhos, associações e grupos profissionais ganhem força na luta contra a especialidade, como é exemplo da Medicina judicializando com o objetivo de acabar com a Biomedicina Estética.

b) A diminuição da empregabilidade local e regional de biomédicos docentes em troca de videoaulas, acarretando em mais uma forma de desvalorização e exploração da categoria.

c) Certamente a qualidade da formação final destes especialistas ficará comprometida. A chance de um biomédico especializado por meio de EAD cometer um erro e se arrepender pelo resto de sua vida é bem previsível, causando danos a sociedade, tirando a credibilidade de toda a classe biomédica em detrimento de uma promessa fácil e sedutora.

Lembram-se do caso em Goiânia, quando primeiro foi anunciado que biomédica que matou uma paciente por injetar silicone em órgãos internos da pessoa que veio a óbito. Depois a reportagem mudou para uma tal de “falsa biomédica” (mas ainda o foco era a classe biomédica). E muito tempo depois, quando um bom estrago à imagem da classe já tinha sido feito, houve uma retratação.

d) O mercado de trabalho (franquias, redes e etc) e o mercado de consumidores num médio a longo prazo não mais acolherão os serviços prestados e ofertados por biomédicos estetas, resultando num colapso que tanto a medicina e profissões concorrentes desejam.

E não é porque a qualidade do material didático é ruim nestes cursos. Ao contrário, na maioria deles o material é considerável porém sem garantias de renovação e constantes atualizações mediante a indústria da Estética que se inova ano a ano. A questão é que uma formação profissional não se faz apenas com bons textos e bons vídeos, mas é preciso também muita interatividade presencial (obtenção de experiência), e isto tem um custo maior. É preciso também elaboração e aplicabilidade por parte do estudante referente ao que estão estudando, sempre com orientação de um profissional educador e clínico, e isto também custa dinheiro. Estes elementos raramente são contemplados nos cursos de “R$ 300,00”, em que conclui-se que eles estão “enganando” estes estudantes. Quando muito, instruem bem, mas não formam ninguém.

Biomedicina

Profissional Ead sem vivência e sem prática na profissão

O dono de uma clínica ao selecionar currículos tem em suas mãos exatamente dois profissionais da mesma área, a diferença é que um deles finalizou a pós-graduação presencial que inclui práticas em pacientes reais, sabendo manusear equipamentos e tendo noção de biossegurança. Já o outro currículo, o profissional se formou na modalidade Total Web (EAD), sem vivenciar as práticas em clínicas, ou até mesmo não sabendo distinguir os procedimentos estéticos e aparelhos que são abordados em aulas presenciais. O Dono da clínica, com toda certeza, escolheria o currículo do profissional que realizou a pós graduação presencial!

O MEC está atento a isto e se esforçando para evitar um desfecho ruim para o setor da Saúde no EAD, sendo rigoroso nas avaliações e nas punições.

No entanto, a ação do MEC não conseguirá corrigir sozinha esta distorção, pois os estudantes demoram para separar “o joio do trigo” em termos de qualidade de cursos e quem será prejudicada, efetivamente, não será uma ou outra IES, mas sim a especialidade “biomedicina estética”, e a classe biomédica como um todo.

No Brasil predomina o modelo de EAD 100% online de baixa ou nenhuma interatividade, diferente do que é praticado em países onde a educação é mais séria.
O fato é que para se ter qualidade no ensino clínico é preciso ter interatividade, e isto custa dinheiro e aumenta o custo da mensalidade na instituição educacional, que realiza um trabalho responsável.

O mercado de trabalho vai cobrar o seu preço ao receber profissionais pouco qualificados oriundos dos cursos de “R$ 279,00”, mas até que isto aconteça, muitos grupos educacionais vão se aproveitar da brecha do EAD seguirão sua expansão na biomedicina estética pouco preocupados com esta questão da pós-graduação.

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1 COMENTÁRIO

  1. O que dizer de uma universidade que oferta a graduação EaD de biomedicina com habilitação em análises clínicas e em biomedicina estética inclusas? A Universidade Positivo de Curitiba oferta, vendendo ser “semipresencial”, porém, nas diretrizes do MEC, não existe esta modalidade: ou é presencial ou é a distância. As aulas presenciais no polo desta instituição ocorrem 2 dias por mês. Como se forma um biomédico EaD com duas habilitações?

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